sábado, 14 de outubro de 2017

Desejo de mulher grávida - Autor: Dilermano Cardoso

Autor: Dilermando Cardoso

Aceite o palpite de um sujeito que apanhou mais da vida, que cachorro em procissão! Jamais pronuncie a pequena frase: - Desta água não beberei! Você acaba bebendo, e antes do que imagina. Que o diga meu amigo, Marcão. Em outros tempos quando sábado à tarde, reunida, a turma curtia conversa de boteco, ele que casou ‘Galo de São Roque’ - como dizia minha avó, passados os trinta -, para todo assunto, durão, tirava onda: “Lá em casa não vai ter disto, não!” Até se encantar, e apaixonado casar com a Adriana. Romântica leitora, imagine uma destas mocinhas aparentemente frágeis, meigas, que quando conversam a gente tem que pedir ao beija-flor que não bata asas, para lhe ouvir a voz... Foi exatamente com alguém assim que o Marcão da Lotérica tirou a sorte grande!
Se não é fácil para nós homens um convívio harmonioso com namoradas e esposas, naqueles cinco fatídicos dias para elas, e de tabela para seus companheiros - quando engravidam o bicho pega pra valer! Neste aspecto o folclore é variado e somos chantageados, pois se lhes não atendemos aos caprichos o neném nasce com a boca torta, zarolho, orelhas de abano...

De volta ao meu casal de amigos, eles estão grávidos, como se diz hoje por força de modernismos. Pois não é que uma noite destas, ao sonhar que chupava jabuticaba a Adriana acordou com tal desejo, obrigando o pobre Marcão em plena madrugada telefonar para parentes e amigos, pedindo a fruta? Embora no meio do ano, por aqui, jabuticaba a gente só veja em fotografia, sonho, e desejo de grávida? Ao lembrar-se que possuo um sitiozinho com meia dúzia de jabuticabeiras no quintal, ele veio bater à minha porta pedindo “até pelo amor de Deus”, que lhe arranjasse nem que fosse uma mãozada de fruta, ou ele, despejado da cama de casal e temporariamente no sofá da sala, dividiria a casinha do cachorro, com o dito cujo!

A esperança é a última que morre... e mesmo assim morre! No domingo, um filho meu que mora em Paranavaí ligou (tarifa telefônica aos finais de semana é mais barata! Tio Patinhas!), me perguntando: - Pai, adivinha o que é que eu estou fazendo? - Ora, conversando comigo ao telefone. Respondi dando uma de bonzão. - Deixa a ficha cair, sô! Prosseguiu ele. Estou chupando jabuticabas! E me explicou o ‘milagre’. É que no Sul as estações do ano são ligeiramente antecipadas, e mesmo não sendo Outubro, mês oficial de colheita da fruta, por lá ela já pode ser encontrada. Na mesma hora pedi que adquirisse uma caixinha de isopor, e enchendo o quanto cabia, despachasse via Sedex! Animado, o Marcão só não contava com a greve nos Correios, quando elas chegaram...

Como desejo de mulher grávida não passa nem a poder de reza, meu amigo pôs anúncio no jornal, na rádio, se torturando que o herdeiro pagaria por sua incompetência, quando o João Tavares lhe socorreu. Aguando muito, um pé na sua casa dera frutas temporãs. Chegou, enfim, a hora que a Adriana realizaria seu desejo de grávida; se comparado ao de outras, era até razoável. Sei de uma futura-mamãe a quem coisa nenhuma servia, que não fosse o pobre do marido comer cacos de telha cozidos no feijão. Ele, não ela!... Caixa de papelão embaixo do braço lá se foi o amigo, em busca do seu resgate!

Com o país quase no primeiro-mundo, temos novidades todo dia, tal qual a estória de marido assumir gravidez, ao lado da esposa. Radiante de felicidade o Marcão embarcou na onda junto com a Adriana, devorando, ele mais do que ela, as encantadas jabuticabas. Seu entusiasmo foi tanto que não perdoou caldo, casca, caroço... Ontem, de semblante triste, preocupado, me confidenciou: se antes seu problema fora encontrar as frutas; agora era livrar-se delas!

Autor: Dilermando Cardoso - Bom Despacho/MG
Página do autor: http://recantodasletras.com.br/autor.php?id=73941
Publicação autorizada através de e-mail de 12/10/2011

domingo, 3 de setembro de 2017

Escolha a capa do Livro: Gandavos - Histórias de Assombração

Ilustrar a capa de um livro de vários autores, talvez seja um grande desafio, pois há a necessidade de soltar a imaginação, ir além, para que a imagem represente da melhor maneira possível cada uma das histórias presentes na obra e preencha as expectativas. Sendo assim, o amigo Suzo Bianco tem feito a sua parte de maneira impecável, como ilustrador e também participando como autor.

Solicito aos autores e leitores dos livros “Gandavos”, que apreciem as ilustrações abaixo e escolham nas duas categorias:

O tema da próxima coletânea: “Histórias de Assombração. ” O voto pode ser registrado como comentário no face ou nos comentários da página do próprio Blog Gandavos. 

Exemplo do voto: Ilustração n 1; desenho letra C.


 1- Ilustração para capa: Escolha uma entre as 6 ilustrações. Qual delas seria a capa ideal do livro (escolha citando o número da ilustração);


 2- Desenhos para parte interna do livro: Escolha um desenho. Qual desenho (escolher citando a letra), você entende ser o ideal para compor o miolo do livro.


ILUSTRAÇÕES PARA COMPOR A CAPA DO LIVRO

Ilustração 1



Ilustração 2




Ilustração 3


Ilustração 4



Ilustração 5



Ilustração 6



DESENHOS PARA O MIOLO DO LIVRO


Desenho A



Desenho B





Desenho C






Desenho D


Desenho E


Desenho F


Desenho G


Desenho H



Desenho I


Desenho J


Desenho K




Desenho L


Desenho M


Desenho N


Desenho O













sábado, 19 de agosto de 2017

Novo livro do escritor Geraldo Rodrigues da Costa (o nosso Geraldinho do Engenho)

Mais uma vez quero agradecer ao meu amigo Geraldinho do Engenho, por mais um livro recebido e dedicado a minha pessoa. Falo do livro CEM ANOS DA ESCOLA MARIA GUERRA, onde o meu amigo escreve com propriedade sobre o assunto, sendo ele o próprio protagonista e testemunha do referido estabelecimento de ensino. O livro é prefaciado pelo também escritor Tadeu Araújo, que diz: ¨Geraldo Rodrigues da Costa, o Geraldinho do Engenho, membro da Academia Bom Despachense de Letras, é hoje o mais destacado e produtivo escritor de Bom Despacho/MG, sendo autor de mais de uma dezena de livros de crônicas, contos, romances e pesquisas históricas.
Amigo Geraldo, espero sempre contar com o seu apoio e amizade nas próximas empreitadas. Aqui do meu Pernambuco, receba e transmita o meu abraço amigo a todos os escritores mineiros, juntamente com meu agradecimento renovado.

Atenciosamente


Carlos A. Lopes.
Blog Gandavos








terça-feira, 15 de agosto de 2017

Carlos A. Lopes e cinco bom-despachenses da ABDL

Escritor: Tadeu de Araújo Teixeira





Fonte: Jornal de Negócios
Coluna de TADEU DE ARAUJO TEIXEIRA



A respeito de Carlos A. Lopes já escrevi: sob o sugestivo titulo “Gandavos”, o editor pernambucano Carlos A. Lopes instituiu “o ovo de Colombo” da literatura brasileira em favor dos iniciantes da arte de escrever. Ante a nobreza espanhola, que dizia ter sido fácil sua façanha, o descobridor das Américas pegou de um ovo e desafiou os presentes a coloca-lo em pé, na mesa. Ninguém, apesar de todas as tentativas, conseguiu. Colombo então quebrou uma das extremidades do ovo e pô-lo em pé. Então disseram: “Assim é fácil!”. Colombo observou: “Mas ninguém antes de mim o conseguiu”.
Como Colombo, Carlos A. Lopes apresentou uma solução simples para a sua grande iniciativa. Ele criou a série brasileira “Gandavos”, em que seleciona pela internet trabalhos de contistas e cronistas do Brasil inteiro e publica em belíssimas coletâneas. O sucesso da obra tem sido garantido pela serenidade do trabalho e pelo cuidado de Carlos A. Lopes como editor, garimpando talentos literários de todos os rincões do solo brasileiro que participam desta moderna e inovadora forma de publicar livros em nosso país.
Estamos agora na sétima edição “Gandavos”, publicada em uma editora pernambucana do Recife com participação de 26 escritores, entre eles, cinco bom-despachenses de nossa Academia de Letras. Exceto a Denise, cada um com dois textos:
Geraldo Rodrigues da Silva “O compadre da morte” e “Um homem com a cabeça do capeta”.
Denise Coimbra – “O dia que não veio”.
João Batista Silva – “A botija de ouro” e “ Boa viagem”.
Tadeu de Araujo Teixeira – “Conto de natal bom-despachenses” e “Era uma vez nos sertões de bom-despacho”.
Ronam Tales Oliveira – “Cada um tem a idade de seu coração” e “Uma receita caseira”.
Fonte: Jornal de Negócios
Coluna de TADEU DE ARAUJO TEIXEIRA
Ano XXIX n 1.472 – Fundado em 12/05/1989, edição 23 29/07/2017
Bom Despacho/MG



Mais uma vez quero externar os meus sinceros agradecimentos pela reportagem inserida na coluna do escritor Tadeu de Araújo Teixeira no Jornal de Negócios da Cidade de Bom Despacho.
Suas palavras de incentivo, além de comoventes, faz homenagem numa linguagem que mostra a proximidade de seu autor com as pessoas homenageadas, traduzida em palavras de carinho, respeito com seus conterrâneos e também com todos os outros autores participantes das coletâneas Gandavos.
Espero poder contar sempre com o apoio e talento de cada um de vocês nas próximas empreitadas. Assim sendo, receba e transmita o meu abraço amigo a todos, juntamente com meu agradecimento renovado,
Atenciosamente

Carlos Lopes.








terça-feira, 8 de agosto de 2017

O herói que não retorna - Autor: João Batista de Lima

Gerôncio era o coveiro de Tabocal. Rezava todo dia para que alguém morresse. Mas, quando muito, havia um sepultamento por ano. Era às vezes um velhinho que morria de velho ou um anjinho que morria de fome. Preferível ser um velho, daqueles com dente de ouro ou aliança de casamento esquecida pela família na inutilidade da mão esquerda.
Para evitar de desenterrar defunto pobre, Gerôncio conhecia de cor e salteado os portadores de dente de ouro da região. Aí era só ir, no dia do enterro, alta noite, com a lanterna, o martelo e a pá, retirar a terra frouxa da cova e desenterrar o morto. Depois, era só quebrar o dente com o martelo e levar o ouro para casa. Ele não esquece a morte do Pai do coronel Nicodemos. Foram cinco dentes de ouro dezoito. Finalmente comprou seu casebre onde mora até hoje, lá na ponta da rua.
Mas aí morreu a filha do fazendeiro Antônio Moreno. A menina tomava banho na beira do rio às oito da manhã quando caiu durinha. Não tornou mais. Trouxeram o corpo para casa e velaram até às cinco da tarde, quando se procedeu o enterro com todos os rituais cristãos. O repinique o dia inteiro, no sino da capela, parecia anunciar enterro de anjo rico. As flores eram muitas. No campo santo foi aberto o caixão para que o irmão mais velho, chegado de longe na última hora, visse o corpo da irmã. Estava linda, com todos seus anéis nos dedos e colares no pescoço.
Gerôncio não esperou pela meia-noite, veio logo às sete e escavou a sepultura da menina. Mal abriu a tampa do caixão, a finada mexeu-se e foi logo limpando a terra dos olhos. O coveiro, assombrado, embrenhou-se na mata em disparada e nunca mais foi visto por ali. Quanto à moça, que voltou para casa assombrando a cidadezinha, foi dada como doente de catalepsia, escapada por milagre. Hoje está lá contando a história para quem quiser ouvir e ainda guarda a fazenda Gitirana para dar de presente ao salvador de sua vida. Só que o delegado tem uma cela pronta pra quando Gerôncio voltar.
 Autor: João Batista de Lima - Fortaleza/CE
 Publicação autorizada através de e-mail de 28/06/2012